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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Só de Sacanagem

Para um reflexão geral.

Só de Sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo,
coisa da qual nunca tinha ouvido falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo,
com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo
mas, se a gente quiser,
vai dar para mudar o final!

Elisa Lucinda, 12 de agosto de 2005.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tá Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arrruda? do Sarney? do Collor? do Renan? do Palocci? do Delubio? Da Roseanne Sarney? Dos politicos distritais de Brasilia? do Jucá? do Kassab? dos mais 300 picaretas do Congresso?
Brasileiro reclama de quê?
O Brasileiro é assim:
  1. Coloca nome em trabalho que não fez.
  2. Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
  3. Paga para alguém fazer seus trabalhos.
  4. Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
  5. Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
  6. Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
  7. Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
  8. Fala no celular enquanto dirige.
  9. Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos (me dá um toque que eu retorno...) assim, o amigo não gasta nada.
  10. Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
  11. Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.
  12. Viola a lei do silêncio.
  13. Dirige após consumir bebida alcoólica.
  14. Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
  15. Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
  16. Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
  17. Faz "gato" de luz, de água e de tv a cabo.
  18. Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
  19. Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
  20. Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
  21. Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
  22. Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
  23. Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
  24. Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
  25. Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
  26. Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
  27. Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
  28. Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
  29. Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
  30. Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis... como se isso não fosse roubo.
  31. Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
  32. Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
  33. Quando voltado exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
  34. Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.
E quer que os políticos sejam honestos....
Escandaliza-se com o mensalão, o dinheiro na cueca, a farra das passagens aéreas...
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?
E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!
Vamos dar o bom exemplo!
Espalhe essa idéia!
"Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos...."
 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O cartel de empreiteiras da Fifa

Por JUREMIR MACHADO DA SILVA
Jornal “Correio do Povo”, de Porto Alegre

Entrevista bombástica do ex-presidente do Internacional, Vitorio Piffero, a Luis Carlos Reche, na Rádio Guaíba.
Segundo ele, o Inter tinha recursos para fazer sozinho a reforma do Beira-Rio.
Por que não o fez?
Porque a Fifa exigiu garantias bancárias que o Inter não tinha assegurando os recursos para a conclusão da obra.
Piffero afirmou que o Inter tinha dinheiro no banco suficiente para a reforma da arquibancada que hoje está paralisada.
De quebra, o Inter corre o risco de ficar fora da Copa das Confederações.
Por que o Inter paralisou as obras?
Porque sofreu fogo amigo. Críticas internas ao modelo próprio de reformas.
E críticas externas, as da Fifa e da CBF.
Por quê?
A Fifa e a CBF queriam impor uma empreiteira do seu cartel, a Andrade Gutierrez.
Não interessava à turma da Fifa que o Inter fizesse a reforma por contra própria.
A Copa do Mundo precisa dar lucro a um grupo de parceiros.
Qualquer coisa fora disso é desautorizada.
O Inter chegou a contratar um executivo, de rápida e apagada passagem pelo Beiro-Rio, cuja missão se resumiu a convencer o atual presidente do Inter a cair no colo da Andrade Gutierrez.
Todos aqueles que criticavam essa decisão boa acima de tudo para a empreiteira foram acusados de atraso e ignorância.
O Inter podia ter feito como o São Paulo: não se submeter.
Mas havia duas razões para cair no colo da Andrade Gutierrez: a rivalidade infantil com o Grêmio e o desejo de alguns de fazer a sagrada vontade da CBF e da Fifa.
Na África, já se cogita derrubar alguns dos estádios construídos para a Copa de 2010.
No Brasil, só cartolas, alguns políticos e empreiteiras ganharão com a Copa do Mundo.
O Inter e o Grêmio têm tudo para sair como perdedores.
Serão perdedores felizes.
Farão papel de modernos.
Moderno é pagar aluguel para morar na própria casa.
É o neoliberalismo da CBF e da Fifa
Um neoliberalismo antigo, o dos negócios bons para alguns e ruins para muitos.



NOTA do autor do Blog.
A cidade de São Paulo não pode nunca ficar de fora de uma Copa do Mundo, muito menos de uma abertura ou final. São Paulo tem a melhor rede hoteleira do Brasil, os melhores restaurantes (considerada a capital mundial da gastronomia), as melhores lojas, o maior desenvolvimento, o maior PIB (perdendo somente para o Estado de São Paulo e o Brasil), como ficaria de fora ??????
Nunca.
É por isso que Lula e o interesse de Andres Sanches (Corinthians) fizeram a construção de um estádio 3x mais caro que uma simples reforma no Morumbi. Será que não está por tras de tudo isso o cartel acima denunciado?
Gente lembrem-se que São Paulo não é, São Paulo são.


sábado, 20 de agosto de 2011

A Copa do Mundo já tem seus derrotados

Por GUILHERME BOULOS*
As primeiras reações à escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo 2014 foram de festa.
De certo modo justificada: depois de mais de 60 anos, o país que tem o futebol como uma marca de cultura popular, com centenas de milhares de campos de várzea espalhados por todos os cantos, poderia voltar a ver de perto o maior evento futebolístico do planeta.
O menino da favela poderia, quem sabe, ir ao estádio ver seus maiores ídolos, que costumam se exibir apenas nos campos europeus. Um sonho…
Que não tardou muito em gerar desilusão.
De início, apareceu o incômodo problema de quem iria pagar a conta.
E veio a resposta, ainda mais incômoda, de que 98,5% do gordo orçamento do evento seriam financiados com dinheiro público, segundo estudo do TCU.
Boa parte do BNDES, é verdade.
Mas o capital do BNDES é alimentado pelo Orçamento Geral da União, portanto, dinheiro público, apesar dos malabarismos explicativos do Ministro dos Esportes.
Dinheiro que deveria ser investido no SUS, na educação, em habitação popular e tantos outros gargalos mais urgentes do país.
A questão torna-se ainda mais grave quando, motivado pelo argumento do tempo curto até 2014, o controle público dos gastos corre sério risco.
A FIFA impõe contratos milionários com patrocinadores privados. E o presidente do todo-poderoso Comitê Local é ninguém menos que Ricardo Teixeira, que dispensa comentários quanto à lisura e honestidade no trato com dinheiro.
Estes temas têm sido amplamente tratados pela grande imprensa.
No entanto, há uma outra dimensão do problema, infelizmente pouco abordada. E não menos grave.
Trata-se das consequências profundamente excludentes dos investimentos da Copa nas 12 cidades que a abrigarão.
Três anos antes da bola rolar, esta Copa já definiu os perdedores. E serão muitos, centenas de milhares de famílias afetadas direta ou indiretamente pelas obras.
Somente com despejos e remoções forçadas já há um número de 70 mil famílias afetadas, segundo dossiê de março deste ano produzido pela Relatora do Direito à Moradia na ONU, Raquel Rolnik.
E estes dados foram obtidos unicamente através de denúncias de comunidades e movimentos populares.
O que significa que os números tendem a ser muito maiores.
A Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos solicitou a representantes governamentais do Conselho das Cidades um dado estimado de famílias despejadas e recebeu a resposta de que este levantamento não existe. O Portal da Transparência para a Copa 2014 tampouco fornece qualquer informação. Há uma verdadeira caixa-preta entorno dos números.
Isso facilita que qualquer processo de remoção receba o carimbo da Copa e, deste modo, seja conduzido em regime de urgência, sem negociação com a comunidade e passando por cima dos direitos mais elementares.
E, o que é pior, na maioria dos casos não há qualquer alternativa para as famílias despejadas. Quando há, são jogadas em conjuntos habitacionais de regiões mais periféricas, com infra-estrutura precária e ausência de serviços públicos.
Não é demais lembrar que, na África do Sul, milhares de famílias continuam hoje vivendo em alojamentos após terem sido removidas para a realização da Copa 2010.
Quem sorri de orelha a orelha é o capital imobiliário.
As grandes empreiteiras e, principalmente, os especuladores de terra urbana se impõem como os grandes vitoriosos. Nunca ganharam tanto.
Levantamento recente do Creci-SP mostra que em 2010 houve uma valorização de até 187% de imóveis usados em São Paulo e um aumento de até 146% no valor dos aluguéis. A rentabilidade do investimento imobiliário superou a maior parte das aplicações financeiras Para este segmento a Copa é um grande negócio.
Quem perde com isso é a maior parte do povo brasileiro. O trabalhador que ainda podia pagar aluguel num bairro mais central é atirado para as periferias. E mesmo nas periferias, os moradores são atirados para cidades mais distantes das regiões metropolitanas.
As obras da Copa desempenham um papel chave neste processo de segregação. O exemplo de Itaquera não deixa dúvidas: os preços de compra e aluguel dos imóveis dobraram após o anúncio da construção do estádio. Aliás, não se trata de um fenômeno apenas nacional: as Olimpíadas de Barcelona (1992), por exemplo, foram precedidas de um aumento de 130% no valor dos imóveis; em Seul (1988) 15% da população sofreu remoções. A conta costuma ficar para os mais pobres.
Isso quando não se paga com a liberdade ou a vida. Na África do Sul, durante a Copa 2010, foi criada por exigência da FIFA uma legislação de exceção, com tribunais sumários para julgar e condenar qualquer transgressão. O Pan do Rio foi precedido de um massacre no Morro do Alemão, com dezenas de mortos pela polícia, supostamente “traficantes”. Despejos arbitrários, repressão ao trabalho informal, manter os favelados na favela e punir exemplarmente qualquer “subversão”, eis a receita para os mega-eventos. Receita que mistura perversamente lucros exorbitantes, gastos públicos escusos e exclusão social.
 
*Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), militante da Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos e da CSP Conlutas (Central Sindical e Popular). 


Ainda sobre a Copa do Mundo

Durante um bom tempo, enquanto se discutia se o Morumbi podia ou não receber a abertura da Copa do Mundo no Brasil, aqui foi dito que os governantes paulistas deveriam fazer valer o lema da capital paulistana, “Não sou conduzido, conduzo”.
E que se fosse dito com clareza à população que São Paulo não se curvaria à vontade do presidente da CBF e que ou faria a Copa no Morumbi ou a Fifa que se virasse, o eleitorado aplaudiria a manifestação de altivez.
Pois agora o Datafolha foi às ruas e revela que 60% dos paulistas não acham importante que se faça a abertura na cidade.
Era óbvio.
Abaixo, um resumo interessante da pesquisa:
Pelo levantamento, 61% dos moradores da cidade são a favor da construção da arena corintiana, que tem custo atual estimado em R$ 820 milhões, sem contar instalações provisórias específicas para o Mundial que serão bancadas pelo governo do Estado.
Os que disseram ser contra o estádio foram 28%, e 11% não souberam responder.
O maior apoio, óbvio, é dos corintianos (83%).
Mas é enorme entre os santistas (67%) e parecido, e considerável, entre palmeirenses (49%) e são-paulinos (46%).
Estádio para o Corinthians tudo bem, mas nada de dinheiro público ou euforia com a abertura do Mundial.
A pesquisa apontou que 60% dos entrevistados têm a opinião de que a abertura da Copa para São Paulo é nada importante –23% a julgam um pouco importante e apenas 17% muito importante.

Fora os R$ 30 MILHÕES já gastos para ver Ana Carolina e Ivan Lins desafinados entre outras coisas, em um evento para sortear bolinhas.....
Lembre-se que esses R$ 30.000.000,00 saíram do nosso bolso sem licitação e foi direto para a REDE GLOBO.
 
 Em tempo...
 
E o Futebol Feminino segue sem patrocínio

domingo, 24 de julho de 2011

Futebol Feminino: a próxima grande oportunidade

“Se a gente ganhasse o Mundial, teria investimento? Não sei, acho que não. A gente já fez o que fez, e não muda nada”.
Essa foi a mensagem da atacante Cristiane, assim que as Canarinhas voltaram da Alemanha, depois de perder para os Estados Unidos nas quartas de final do Mundial Feminino.
Desde que a Copa do Mundo feminina começou a ser disputada, em 1991 o Brasil esteve presente em todas as competições.
Em 1999 ficou em 3º lugar e em 2007 perdeu a final para a Alemanha.
Temos a melhor jogadora do mundo, Marta! Cinco vezes eleita pela FIFA (consecutivas), fez quatro gols na Alemanha e se igualou à atacante alemã Birgit Prinz em números de gols marcados em Copas do Mundo (14).
Mas “só” isso parece não adiantar para que o futebol feminino brasileiro tenha mais apoio.
O bom futebol e a falta de experiência que nossas atletas mostraram são resultados do talento nato das meninas e da falta de preparação para competições importantes como a Copa do Mundo e Olímpiadas.
Antes de ir para a Alemanha, o Brasil fez apenas um amistoso contra o Chile, time que hoje está em 44º  no ranking da FIFA e não participou da Copa do Mundo.
Enquanto os Estados Unidos (1º lugar no ranking da FIFA) fizeram diversos amistosos, sendo um deles contra o Japão, time com quem jogaria a final da Copa, dia 17 de Julho. Os Estados Unidos acabaram perdendo para o Japão, que durante toda a Copa mostrou que além de garra, contou com uma nação inteira apoiando suas atletas durante toda a competição.
Os problemas da seleção brasileira começam mais embaixo.
Em 1999 os Estados Unidos trouxeram para casa a taça de campeãs.
Desde então, o país mudou em relação ao futebol feminino. Em 2001 foi criada a primeira liga feminina no país, a WUSA, que  durou apenas dois anos, por falta de investimentos. Em 2008 a liga atual, WPS (Women’s Professional Soccer) foi criada e continua a desenvolver atletas profissionais no país. Hoje a liga conta com 6 times, entre eles o Western New York Flash, onde atuam duas brasileiras, Marta e Maurine. De acordo com o técnico do time, Aaron Lines, a liga tem ajudado a preparar as jogadoras para grandes campeonatos como o Mundial e as Olimpíadas.
Além de ter uma liga profissional,  o desenvolvimento das atletas nos Estados Unidos começa por volta dos 16 anos, quando a maioria das jogadoras esta’ se preparando para começar a faculdade. Hoje, nos Estados Unidos, de acordo com a NCAA (National Collegiate Athletic Association) cerca de 380 faculdades associadas têm time de futebol feminino. As atletas são disputadas pelas faculdades e recebem apoio (bolsa de estudos, alimentação e moradia) durante os quatro anos de estudo.
De acordo com o censo do IBGE, temos 17.5 milhões de meninas entre 10 e 19. Essa é a idade em que a maioria das meninas aqui nos Estados Unidos começa a se envolver com o esporte e participar de campeonatos nos clubes em que treinam. Durante o ano letivo, as escolas participam de competições e quando as atletas estão no período de férias escolares, os pais as colocam nos famosos “camps” americanos, onde têm chance de melhorar ainda mais suas habilidades e onde começam a aparecer para os famosos “olheiros” de faculdades.
O Brasil tem, é claro, tradição em futebol, vontade também. E principalmente um público que com certeza estaria interessado em torcer pelo seu time feminino, como mostram os números recordes de tuites na final do feminino e a audiência também recorde das transmissões de TV durante a ultima copa feminina,  na Alemanha.
Esse é o grande diferencial entre os Estados Unidos e o Brasil. Com uma liga estável, as americanas conseguem se preparar melhor para grandes competições, enquanto as brasileiras não conseguem ter um calendário de jogos fixo e times com estrutura para competições. A seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo este ano tinha 15 jogadoras que atuam no Brasil, sendo 6 do Santos. As outras, ou jogam fora do Brasil ou estão sem clubes. A goleira Andrea e a atacante Cristiane em entrevistas após a derrota contra os Estados Unidos, deram seus diagnósticos:  “Só raça e vontade não ganham Mundial. Só raça, vontade e confiança não ganham medalha olímpica. Tem que ter, sim, pessoas que queiram trabalhar sério pelo futebol feminino”, disse Andréa.  Já a atacante Cristiane lembrou que a Liga Americana (WPS) continua investindo pesado, não importam os resultados.
Diversas brasileiras passaram pela liga americana nos últimos anos. Formiga, Cristiane, Marta, Maurine, sendo que as duas últimas atuam no WNY Flash (NY). Esse é o terceiro clube pelo qual Marta joga nos EUA. Os dois anteriores ao WNY Flash foram campeões da liga. Hoje o time de Marta está em segundo lugar, com grandes chances de terminar em primeiro e trazer mais um título para o currículo dessa grande jogadora.
Marta fez com que a popularidade do esporte crescesse. Tornou-se um ídolo,  reconhecida e querida por onde vá. Nos jogos em casa, crianças de todas as idades lutam para conseguir um autografo ou uma foto. Muitas chegam horas antes do jogo só para ver a jogadora descer do ônibus. O WNY Flash vive dias de sucesso,  no estado de Nova Iorque depois que trouxe Marta para jogar aqui. Ingressos para os jogos vendem como água e quando os fãs ligam para comprar ingresso a pergunta é sempre a mesma: “A Marta vai jogar?”.
A pergunta óbvia é: por que uma atleta brasileira que é a melhor jogadora do mundo não está jogando em uma liga no Brasil? Por que não temos crianças brasileiras jogando futebol e dizendo que quando crescerem querem ser igual à Marta?
A Copa do Mundo feminina que terminou no dia 17 de Julho foi transmitida pelo maior canal de esportes dos Estados Unidos (a ESPN) que fez uma cobertura completa, transmitindo todos os jogos nos seus dois canais e também pela internet. De acordo com a revista Bloomberg, durante a final entre Estados Unidos e Japão o canal atingiu uma média de 8.6% de audiência. Doze anos atrás, em 1999, quando os EUA jogou a semifinal contra o Brasil o canal teve uma audiência de 3.2%. Pra se ter uma ideia, o jogo da liga de Basebal nos Estados Unidos obteve apenas 6.9% de audiência (e era o jogo dos “All-Stars”, que tem os melhores jogadores do país.)
Além disso, durante a partida, foi batido o recorde de tuítes por segundo. De acordo com o G1 e diversos jornais pelo mundo, a média foi de 7.196 tuítes por segundo durante a partida. Durante a disputa de pênaltis entre Brasil e Paraguai a média foi de 7.166 tuítes por segundo.
Esses indicadores mostram que o futebol feminino vem crescendo e tem chances de se tornar ainda maior. O futebol é um esporte de tradição no Brasil e agora é a vez do país abraçar essa oportunidade. As Canarinhas da Granja Comari contam com os mesmos patrocinadores da selecão masculina (Nike, Itaú, VIVO, Guaraná Antártica, SEARA, Nestlé, Extra, Gillette, Wolkswagen, TAM), mas não é o suficiente para que as atletas estejam preparadas para competições de grande porte. Ao contrário da seleção feminina dos Estados Unidos, o time também conta com os mesmos patrocinadores da seleção masculina (American Airlines, All State, AT&T, Budweiser, Castrol, DICK’S, Gatorade, El Jimador, Kumho Tires, Nike, Pepsi, VISA), mas o suporte e a preparação que o time recebe nem se compara a seleção brasileira. O “Team USA”, como são conhecidas por aqui, conseguem aproveitar os benefícios que os patrocínios trazem para as duas seleções. O resultado nós podemos ver dentro de campo, um time mais estabilizado, melhor preparado e com um background que não se compara ao país do futebol.
A mesma tecla vem sendo batida nos últimos anos: as meninas lutam e fazem o máximo possível para trazer alegria ao povo brasileiro. Mas sem investimento, sem organização, essas meninas vão continuar batendo na trave e o futebol feminino também.
  
*Maria Tereza Públio Dias é mestranda em Administração Esportiva na Universidade Canisisus, Buffalo, EUA, e estagia no WNY Flash, o clube onde joga a também brasileira Marta.

sábado, 25 de junho de 2011

Futebol também é esporte pra mulher

Por TÚLIO VELHO BARRETO*

Após ser escolhida a terceira melhor jogadora de futebol feminino do mundo por duas vezes, a atacante Marta venceu as cinco últimas edições da eleição da FIFA.
A eleição, que está apenas em sua décima edição, é realizada junto a representantes dos mais de duzentos países filiados à entidade.
Trata-se de recorde absoluto entre homens e mulheres. Na mesma pisada, outra jogadora da seleção, Cristiane, ficou, por duas vezes, em terceiro lugar.
No plano coletivo, a seleção brasileira feminina também tem obtido sucesso.
Foi quarto lugar nos dois primeiros torneios entre seleções femininas em Olimpíadas.
Nas edições seguintes, bateu na trave e conquistou a medalha de prata após prorrogações contra os Estados Unidos.
Atualmente, nossa seleção é bicampeã panamericana e vice-campeã mundial.
E é exatamente o título da Copa do Mundo na Alemanha, que começa domingo, mas tem recebido cobertura inferior à Copa América, o novo desafio de Marta e da seleção brasileira.
Mas todas as conquistas são bem recentes.
E por uma razão: o enorme preconceito contra a participação feminina em um esporte tido, aqui e em muitos países, como exclusivamente masculino.
O preconceito, que pretendeu – e conseguiu durante quase cem anos – excluir as mulheres do esporte mais popular do mundo, contribuiu para que elas ficassem quase ‘invisíveis’ também nessa importante prática social. E não ocupassem os espaços públicos.
De fato, criado por homens na Inglaterra, em 1863, o moderno futebol chegou ao Brasil no final do século XIX.
Assim como na Inglaterra, aqui o futebol também se estabeleceu como espaço masculino e elitista.
Só deixou de ser um esporte de elite quando incorporou jogadores negros e adotou o profissionalismo.
Mas isso não significou o fim de todos os preconceitos. Persistiu ainda o controle dos homens sobre o esporte.
Tal fato ocorreu não por falta de interesse e iniciativas das mulheres.
Por exemplo, em 1892, na Escócia, houve a primeira partida entre times femininos.
Em 1895, a primeira entre seleções da Inglaterra e Escócia.
No Brasil, há indícios de partidas entre mulheres em 1908-09.
Mas o primeiro registro histórico de uma disputa entre times femininos é de 1921, em São Paulo.
Logo depois a mulher passaria a ser só espectadora. O que tamb   m não durou muito apesar do substantivo ‘torcedor/torcedora’ derivar do ato de as mulheres torcerem seus lenços e chapéus durante partidas de futebol.
A iniciativa de excluir as mulheres de um espaço social e público, que os homens consideravam seu, foi transformada em lei pelo governo brasileiro em 1941.
Em pleno Estado Novo, Getúlio Vargas editou o Decreto Lei 3199, que criou o Conselho Nacional do Desporto. Nele, pode-se ler: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”, entre eles o futebol.
Era uma espécie de apartheid, embora as mulheres resistissem, criassem times quase clandestinos e praticassem futebol sem caráter competitivo.
O Decreto Lei resistiu à redemocratização de 1946 e foi ratificado pelo regime militar em 1965.
Só foi revogado em 1979.
Tais fatos mostram que tais restrições apenas davam vazão ao machismo, socialmente aceito, criando também no futebol uma reserva de mercado de trabalho masculino ao mesmo tempo em que  ‘condenavam’ mulheres-jogadoras ao espaço privado da casa e da família.
É tal realidade que, no passado, as pioneiras e, hoje, Marta, Cristiane e tantas outras buscaram vencer.
Além de encantar com seu futebol, superar tal estado de coisas é uma de suas muitas lutas, que deve ser encampada por toda a sociedade.

*Túlio Velho Barreto é cientista político da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e vice-coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Sociologia do Futebol (Nesf-UFPE/Fundaj).


NOTA DO AUTOR DO BLOG
 
Infelizmente na cidade de Lorena houve um grande regresso em relação ao futebol femininno, onde a cidade já figurou na 1ª divisão do Campeonato Paulista em 2008 e hoje não joga nem a 2ª divisão.
O investimente é quase zero e para os Jogos Regionais 2011 contrata um time de fora para representar a cidade.
Onde estão as meninas da cidade? Pergunto e respondo, elas estão jogando nas cidades vizinhas que, mesmo com pouco investimento conseguem bons resultados.
A política esportiva, em relação ao futebol feminino na cidade de Lorena se encontra desse jeito. Sem incentivos, sem investimento de base, sem nada... E não precisa muito para trazer essas meninas de volta, mas só boas intenções não bastam. Basta um pouco de vontade e de parcerias sérias.